Para muitos de nós, o Natal é pintado como uma época de alegria, ligação e união. No entanto, por detrás das luzes, das tradições e das expectativas, pode tornar-se numa das épocas do ano mais difíceis do ponto de vista emocional e físico.

Se se sentir mais ansioso, sobrecarregado, fatigado, irritável ou até mesmo com um surto de sintomas durante esta estação, não há nada de errado consigo. O seu sistema nervoso pode simplesmente estar a responder à pressão - não ao fracasso.

1. O Natal ativa em nós o desejo de agradar às pessoas

O Natal vem muitas vezes acompanhado de um guião não dito:

Estar disponível. Seja gentil. Seja grato. Seja complacente.

Para quem tem tendências para agradar às pessoas, esta altura do ano pode parecer uma maratona de auto-abandono. Dizer sim quando o nosso corpo quer dizer não. Dar demasiado emocionalmente, socialmente ou na prática. Dar prioridade à harmonia em vez da honestidade.

Muitos de nós aprendemos cedo na vida que o amor e a segurança advêm do facto de sermos “fáceis”, “úteis” ou “não sermos um fardo”. O Natal pode reativar inconscientemente estes padrões, levando-nos a ignorar as nossas próprias necessidades para manter a paz ou corresponder às expectativas.

O sistema nervoso não sente isso como bondade - sente-o como pressão.

2. Demasiada socialização, pouca regulamentação

Festas, reuniões, eventos de trabalho, visitas à família - até mesmo experiências alegres podem sobrecarregar um sistema nervoso que já está sobrecarregado.

O envolvimento social constante significa muitas vezes:

  • menos descanso
  • rotinas interrompidas
  • maior contacto sensorial
  • menos momentos de verdadeira desregulação

Para os sistemas nervosos sensíveis, ou para os que estão a recuperar de stress crónico, dor ou trauma, isto pode levar a uma paralisação emocional, irritabilidade, fadiga ou sintomas físicos.

A sobre-estimulação nem sempre é barulhenta ou dramática - por vezes é simplesmente demasiado, com demasiada frequência, sem espaço suficiente entre elas.

3. O tempo em família pode reabrir velhas feridas emocionais

Passar tempo com a família pode ser profundamente significativo - e profundamente desencadeador.

As relações familiares estão muitas vezes na origem dos nossos primeiros condicionamentos:

  • necessidades emocionais não satisfeitas
  • papéis e expectativas aprendidos
  • padrões de ser visto, ignorado, criticado ou demasiado responsável

No Natal, podemos inconscientemente regressar a velhas versões de nós próprios: o pacificador, o cuidador, o invisível, o “forte”.

Mesmo que nada seja dito, o corpo lembra-se.

É por isso que as reacções emocionais podem parecer desproporcionadas ou confusas - o sistema nervoso está a responder não só ao momento presente, mas também a velhas memórias relacionais armazenadas no corpo.

Uma reflexão pessoal

Durante muitos anos, tive a minha própria forma de lidar com o Natal.

Para me proteger do descontrolo emocional, da tristeza e do medo profundo de não ser amada, convenci-me de que o Natal não era importante para mim. Disse a mim própria que não gostava dele. Agi como se não precisasse de uma época que se centra na família, na reflexão e na ligação.

À primeira vista, parecia independência. Força. Desprendimento. Mas por baixo, era proteção.

A verdade é que não me sentia amada da forma que o Natal parecia prometer e, por isso, ao evitar entrar na época, estava a evitar o risco de sofrer por não me sentir amada e validada. E em vez de sentir essa dor, o meu sistema nervoso escolheu uma estratégia mais segura: não quero saber. Se eu não precisava de amor, não podia ficar desiludido com a sua ausência.

É assim que o sistema nervoso se adapta. Não para nos sabotar - mas para nos manter seguros.

Levei muitos anos a ver isto com compaixão e não com julgamento. Para compreender que o que parecia ser indiferença era, na verdade, uma resposta terna e protetora a necessidades não satisfeitas.

4. A pressão para se sentir feliz

Talvez um dos estímulos mais subtis do Natal seja a expetativa de que deve sentir-se feliz.

Quando a alegria é esperada, a tristeza parece errada.
Quando a gratidão é exigida, o ressentimento pode crescer.
Quando a união é idealizada, a solidão pode parecer mais pesada.

Esta pressão interna para se sentir de uma determinada forma cria um conflito emocional - e o corpo carrega frequentemente o peso daquilo que a mente não se sente autorizada a exprimir.

5. Porque é que os sintomas surgem frequentemente nesta altura do ano

Do ponto de vista do corpo e da mente e do sistema nervoso, o Natal reúne muitos factores de stress ao mesmo tempo:

  • supressão emocional
  • gatilhos relacionais
  • sobre-estimulação
  • perturbação do descanso e das rotinas
  • abandono de si próprio através da dádiva

Para muitas pessoas, isto aparece como:

  • aumento da dor ou fadiga
  • ansiedade ou mau humor
  • problemas digestivos
  • dores de cabeça ou de tensão
  • entorpecimento ou sobrecarga emocional

Estes não são sinais de fraqueza. São sinais de um sistema que pede segurança, espaço e delicadeza.

Um convite diferente este Natal

Curar-se durante esta época não significa deixar de viver o Natal. Significa dar-se permissão para se relacionar com ele de forma diferente.

Fazer uma pausa antes de dizer sim.
Reparar no que o seu corpo precisa - e não apenas no que os outros esperam.
Criar momentos de descanso e de regulação.
Honrar o facto de os sentimentos contraditórios poderem coexistir com o amor.

Não precisa de atuar durante esta época.
Não precisa de ser mais grato, social ou resiliente.

Por vezes, a escolha mais curativa é suavizar as suas expectativas - de si próprio e do Natal.

E lembrem-se:
Se esta altura do ano é difícil, não está mal.
O seu sistema nervoso está simplesmente a responder a muita coisa.

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