Como o abandono do perfeccionismo me ajudou a curar o meu sistema nervoso e a minha doença crónica

Durante a maior parte da minha vida, não sabia que era perfeccionista. Pensava apenas que estava a fazer o que era suposto a fazer - ser bom, fazer as coisas bem, manter as pessoas satisfeitas com a minha excelência, dar o meu melhor, procurar sempre mais.

Olhando agora para trás, posso dizer com profunda verdade e compaixão:
Eu era perfeccionista porque não me sentia segura para ser eu própria.

Não me sentia amado ou visto se não estivesse a atuar. Não me sentia suficiente se não estivesse a conseguir. E não me sentia segura no meu corpo se não estivesse constantemente em controlo. Por isso, continuei a trabalhar. Tornei-me uma pessoa de alto rendimento, uma "boa rapariga". E esta foi a principal razão para um sistema nervoso preso no modo de sobrevivência crónica.

Perfeccionismo como proteção

A maior parte das pessoas associa o perfeccionismo a padrões elevados ou a agradar às pessoas, mas na sua essência, o perfeccionismo é um mecanismo de proteção. Trata-se de um comportamento de sobrevivência aprendido, que começa frequentemente na infância.

No meu caso, apesar de os meus pais me amarem, o elogio não era algo que eu vivesse. Então pensei, Se eu trabalhar muito, eles vão reparar em mim!
As críticas eram mais fáceis do que os elogios. Não era validado nem celebrado pelos meus êxitos.
Isto criou uma marca profunda: Se eu não for perfeito, não serei amado nem visto. Só sou suficiente se estiver constantemente a atuar e a alcançar.

E assim começou uma vida de busca pela perfeição - para evitar erros, evitar a rejeição, evitar não ser suficiente.

Mas o perfeccionismo não afecta apenas os seus pensamentos - altera a sua biologia.

💭 Sugestão de reflexão
Quando é que sentiu pela primeira vez que ser "bom" ou "perfeito" lhe valia amor ou atenção?
O que acontece no seu corpo quando pensa em fazer menos ou cometer um erro?

O corpo de um perfeccionista: Sempre no limite

Quando estamos constantemente a esforçar-nos, a corrigir, a controlar e a atuar, o nosso sistema nervoso não tem descanso. Não consegue descansar no presente.
Vivemos em hipervigilância - sempre à procura de perigo, sempre em guarda. Foi o que eu fiz durante anos.

E foi isso que acabou por se tornar o principal contribuinte para a minha doença crónica e fibromialgia.

O meu corpo começou a falar da dor que a minha mente tinha estado a silenciar. Desenvolvi fadiga, dores, esgotamento - sintomas que os médicos não conseguiam explicar, para além de culparem o meu corpo "estragado".

Mas a verdade é que: Vivi tanto tempo a lutar contra o voo que o meu corpo não sabia como regressar à segurança.

🌱 Experimente esta pequena prática de amor-próprio
Coloque a mão sobre o coração ou a barriga e faça três respirações suaves. Sussurre para si próprio:
"É-me permitido descansar. Estou seguro neste momento".

O ponto de viragem: Acabar com o perfeccionista interior

A cura começou quando percebi que o meu perfeccionismo não era quem eu era - era um padrão Tinha aprendido a sentir-me segura e digna.

Tive de me libertar - do controlo, da pressão, da validação externa, da expetativa e do fazer constante.
Comecei a encontrar-me não com esforço, mas com suavidade.

Aprendi a fazê-lo:

  • Amar-me pelo que sou
  • Aceitar que o amor não exige desempenho
  • Sentir-se digno sem precisar de provar nada
  • Curar a criança interior que tinha medo de falhar
  • Celebrar as pequenas vitórias (e fazer uma pausa para as sentir)
  • Descansar sem culpa
  • Cometer erros sem cair na vergonha

Mas o mais importante é que aprendi a sentir-me seguro dentro de mim próprio com amor e compaixão.

💛 Sugestão de reflexão
Qual seria a sensação no seu corpo de ser digno, mesmo que não tenha feito nada hoje?
Pode oferecer a essa parte de si - a que está sempre a esforçar-se - um pouco de bondade?

Cura do Sistema Nervoso através da Valorização Interior

A verdadeira segurança não vem de planos perfeitos, casas imaculadas ou trabalho impecável. Ela vem de dentro de.
Vem do facto de sabermos que somos suficienteO seu objetivo é ser um homem de bem, exatamente como é - mesmo na sua confusão, mesmo nas suas pausas, mesmo quando comete erros.

Comecei a viver a partir desta nova identidade e a curar o trauma não resolvido que moldou o meu perfeccionismo, o meu sistema nervoso começou a sentir-se seguro novamente.
Foi então que a dor diminuiu.
Era nessa altura que o meu corpo podia finalmente descansar e reparar-se.

Porque a minha cura não veio do facto de me esforçar mais - veio de desaprendizagem. Do amolecimento.
De reforma a parte de mim que pensava que a perfeição era o único caminho para o amor e a pertença.

🌷 Experimente hoje este pequeno ato de amor-próprio
Escolher uma coisa para deixar "inacabada" ou "imperfeita".
Sente-se com o desconforto. Depois, agradeça a si próprio por ter escolhido a cura em vez do desempenho.

Para o perfeccionista que há em si

Se te reconheces nestas palavras, fica a saber:
O perfeccionismo não é a sua personalidade - é a sua proteção.
E a proteção significa que há uma dor subjacente, que anseia por ser vista e abraçada.

Começar com pouco.
Comemore uma coisa que você fez bem hoje.
Dizer não a algo que te esgota.
Tirar cinco minutos de descanso sem culpa.
Escreve uma nota para o teu "eu" mais novo que diga, "Sempre foste suficiente."

Deixe a sua cura começar com a ideia radical de que:
Não é preciso ser perfeito para ser amado.
Não é preciso ser perfeito para se curar.
Só tens de ser real.

E de alguém que viveu décadas no perfeccionismo - garanto-vos, a reforma é bela.

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